jueves, 8 de mayo de 2014

Cecília Meireles


Humildade

Tanto que fazer!
libros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis papéis, papéis...
até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva,
e os mortos em redoma de cânfora.

(É uma canção tao bela!)

Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos
nem para quê.


Humildad

¡Tanto que hacer!
libros que no se leen, cartas que no se escriben,
lenguas que no se aprenden,
amor que no se da,
todo cuanto se olvida.

Amigos entre adioses,
niños llorando en la tempestad,
ciudadanos firmando papeles, papeles, papeles...
hasta el fin del mundo firmando papeles. 

Y los pájaros detrás de cortinas de lluvia,
y los muertos en redomas de alcanfor.

(¡Es una canción tan bella!)

¡Tanto que hacer!
E hicimos sólo esto.
Y nunca supimos quién éramos
ni para qué.


Cecília Meireles (Tijuca, Río de Janeiro, 1901 - Río de Janeiro, 1964)
Antologia poética
Relógio D'Água Editores, Lisboa, 2002
Versión de Andrés Vara

No hay comentarios:

Publicar un comentario